Assim que li este texto, não sei porque comecei a rir e resolvi compartilhar com vocês. O texto é de Rubem Alves e foi publicado na Folha de S. Paulo em 2006, e diz assim....
Antigamente, lá em Minas, a política era coisa séria. Havia dois partidos com nme registrado, programa de governo e tudo mais. Mas, não era isso que entusiasmava os eleitores. Eles não sabiam direito o nome do seu partido nem se interessavam pelo programa de governo. O que fazia o sangue ferver era o nome do bicho e correlatos por que seu partido era conhecido.
Em Lavras, os partidos eram os "Gaviões" e as "Rolinhas". Em Dores da Boa Esperança, eram os "Ratos" e os "Queijos". Os nomes já diziam tudo. Ratos querem mesmo é comer o queijo. E o queijo quer mesmo é se colocar de isca na ratoeira para pegar o rato.
Os eleitores nada sabiam dos programas de governo nem prestavam atenção nas promessas que eram feitas pelos chefões. Sua relação com seus partidos não era ideológica. Nada tinha haver com a inteligência. Eles já sabiam que a política não se faz com razão. Ganha não é quem razão. Ganha quem provoca mais paixão. O entusiasmo que tomava conta deles era igualzinho ao entusiasmo que toma conta do torcedor no campo. Naqueles tempos o entusiasmo não vinha nem da ideologia nem do caráter dos coronéis. O que fazia o sangue ferver era o símbolo: "Eu sou Rato", "Eu sou Queijo".
Corria o boato de que o coronel Sigismundo, fazendeiro, chefe dos "Ratos", usava jagunços para matar seus desafetos. Não surtia efeito. Era mentira deslavada dos "Queijos". Corria o boato de que o doutor Alberto, médico rico, chefe dos "Queijos", praticava agiotagem. Mentira deslavada dos "Ratos". Os chefões na cabeça dos eleitores, eram semideuses, padrinhos, sempre inocentes. O que dava o entusiasmo era o campeonato. Quem ganharia? Os "Ratos" ou os "Queijos"? Quem ganhasse a eleição seria o campeão, dono do poder, nomeação dos afilhados, até a próxima.
Mais de oitenta anos se passaram. Os nomes são outros. Mas, nada mudou. Política é a mesma paixão pelo futebol decidindo o destino do país. Os torcedores se preparam para a finalíssima entre os "Ratos" e os "Queijos". É como era na cidadezinha de Dores da Boa Esperança.
... Qualquer semelhança, é mera coincidência!
Beijo Rosa Choque e até a próxima.......

Tudo a ver. Por aqui, temos ratos que comem queijos e queijos que querem virar comida de ratos. Até aí, tudo bem. Pior é saber que temos gente que ainda vota "por paixão" mesmo que os candidatos sejam ratos lambuzados de queijo.
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