terça-feira, 17 de julho de 2012

Os "Ratos" e os "Queijos"

Assim que li este texto, não sei porque comecei a rir e resolvi compartilhar com vocês. O texto é de Rubem Alves e foi publicado na Folha de S. Paulo em 2006, e diz assim....

Antigamente, lá em Minas, a política era coisa séria. Havia dois partidos com nme registrado, programa de governo e tudo mais.  Mas, não era isso que entusiasmava os eleitores.  Eles não sabiam direito o nome do seu partido nem se interessavam pelo programa de governo.  O que fazia o sangue ferver era o nome do bicho e correlatos por que seu partido era conhecido.

Em Lavras, os partidos eram os "Gaviões" e as "Rolinhas".  Em Dores da Boa Esperança, eram os "Ratos" e os "Queijos".  Os nomes já diziam tudo.  Ratos querem mesmo é comer o queijo. E o queijo quer mesmo é se colocar de isca na ratoeira para pegar o rato.

Os eleitores nada sabiam dos programas de governo nem prestavam atenção nas promessas que eram feitas pelos chefões.  Sua relação com seus partidos não era ideológica.  Nada tinha haver com a inteligência.  Eles já sabiam que a política não se faz com razão.  Ganha não é quem razão. Ganha quem provoca mais paixão.  O entusiasmo que tomava conta deles era igualzinho ao entusiasmo que toma conta do torcedor no campo.  Naqueles tempos o entusiasmo não vinha nem da ideologia nem do caráter dos coronéis.  O que fazia o sangue ferver era o símbolo: "Eu sou Rato", "Eu sou Queijo".

Corria o boato de que o coronel Sigismundo, fazendeiro, chefe dos "Ratos", usava jagunços para matar seus desafetos.  Não surtia efeito. Era mentira deslavada dos "Queijos".  Corria o boato de que o doutor Alberto, médico rico, chefe dos "Queijos", praticava agiotagem.  Mentira deslavada dos "Ratos".  Os chefões na cabeça dos eleitores, eram semideuses, padrinhos, sempre inocentes. O que dava o entusiasmo era o campeonato. Quem ganharia? Os "Ratos" ou os "Queijos"?  Quem ganhasse a eleição seria o campeão, dono do poder, nomeação dos afilhados, até a próxima.

Mais de oitenta anos se passaram. Os nomes são outros. Mas, nada mudou. Política é a mesma paixão pelo futebol decidindo o destino do país.  Os torcedores se preparam para a finalíssima entre os "Ratos" e os "Queijos".  É como era na cidadezinha de Dores da Boa Esperança.

... Qualquer semelhança, é mera coincidência!

Beijo Rosa Choque e até a próxima.......

Um comentário:

  1. Tudo a ver. Por aqui, temos ratos que comem queijos e queijos que querem virar comida de ratos. Até aí, tudo bem. Pior é saber que temos gente que ainda vota "por paixão" mesmo que os candidatos sejam ratos lambuzados de queijo.

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